terça-feira, maio 09, 2006

 

Análise ABC (III)


A análise ABC dos artigos em armazém é feita considerando o número desses artigos e o valor da existência média (Rambaux, s.d.) ou o valor total da existência (Nunes, 1999) anual ou referente a qualquer outro período de tempo, de cada artigo. O consumo anual é usado para evitar distorções resultantes de alterações sazonais (Tersine, 1988). É frequente verificar-se que a maior parte do valor investido se concentra num número muito diminuto de artigos. Esta relação entre o número de artigos e o valor investido pode ser, aproximadamente, da mesma ordem de grandeza e o aspecto da curva ABC variar pouco, qualquer que sejam as existências analisadas, ramo de actividade ou tipo de empresa.

Muther (1978) admite comportamentos muito diversos para as curvas elaboradas para quantidades de produtos. A curva pode aproximar-se da diagonal a 45º ou tomar uma forma hiperbólica rectangular, de foco cada vez mais próximo do centro. No primeiro caso, todos os produtos são produzidos em quantidades aproximadamente iguais, enquanto que com uma curvatura acentuada, não há dificuldade em separar os produtos em classes que podem ser mais do que três. As curvas podem também apresentar pontos de inflexão, conducentes à identificação de um número variável de classes. Por outro lado, Muther (1978) refere a importância do número absoluto de produtos, que pode ir desde poucos produtos, todos de grande volume, até muitos produtos, todos de pequeno volume.

Os artigos da classe A representam a maior parte do montante investido. São, portanto, geridos de perto, com frequência, tanto fisicamente, como através de outros meios disponíveis, de forma a manter existências baixas. Por exemplo, os indicadores para a avaliação da gestão de existências são preferencialmente aplicados a este grupo de referências (Portal Executivo, s.d.). Existências excessivas destes artigos causam os maiores aumentos nos custos de armazenagem, quer pela quantidade, quer pelo valor unitário ou ambos. Devem ser objecto de cálculos rigorosos, nomeadamente ao nível das previsões, para determinar quanto e quando encomendar, de modo a evitar rupturas. Cada artigo pode ser modelado individualmente e os modelos constantemente actualizados. O relacionamento com os fornecedores é de estimular e preservar. Esta gestão, tão minuciosa quanto se desejar, é, todavia, pouco dispendiosa, dado que se exerce apenas sobre um número relativamente pequeno de artigos, uma baixa percentagem do total. O custo adicional da gestão é compensador (Morais e Oliveira, 2002, Oliveira, s.d. e Pereira, s.d.). Cardoso (2005) faz uma apresentação extensiva da análise dos dados da classificação ABC.

Pelo contrário, é inútil dispensar o mesmo tipo de esforços e de atenção aos numerosos artigos da classe C, de fraco valor de investimento. Um tempo precioso e recursos limitados seriam desperdiçados, sem resultado eficaz. Tal gestão correria o risco de se tornar mais dispendiosa que o próprio valor dos artigos, que representa uma percentagem muito baixa do investimento total. Uma gestão mais ligeira e, por consequência, menos dispendiosa é amplamente satisfatória para a grande maioria dos artigos. Os modelos de gestão podem ser usados para grupos destes artigos. Os níveis de stock de segurança dos artigos da classe C podem ser elevados de forma a minimizar os inconvenientes de eventuais rupturas (Morais e Oliveira, 2002).

Para os artigos da classe B podem ser programados níveis de serviço inferiores e a respectiva informação revista periodicamente, ao longo do ano. Uma análise muito detalhada destes artigos tende a não ser compensadora.

CARDOSO, Margarida – O Uso do SPSS na Análise dos Dados de ABC.sav. «Análise de Dados». Lisboa, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), 2005.

MORAIS, António Trigo; OLIVEIRA, Carlos Manuel – Logística. Porto, Associação Empresarial de Portugal (AEP), 2002. Consultado a 8 de Maio de 2006.

MUTHER, Richard – Planejamento do Layout: Sistema SLP. São Paulo, Edgar Blücher, 1978.

NUNES, J. P. – Método da Análise Selectiva ABC. São Paulo, 1999. Consultado a 8 de Maio de 2006.

OLIVEIRA, Pedro – Gestão de Operações: Gestão de Inventário e MRP. Lisboa, Universidade Católica Portuguesa, s.d. Consultado a 8 de Maio de 2006.

PEREIRA, Moacir – O Uso da Curva ABC nas Empresas. Campinas, SP, Kplus, s.d. Consultado a 8 de Maio de 2006.

PORTAL EXECUTIVO - Como avaliar a gestão de stocks da sua empresa. Lisboa, pmlink.pt, s.d. Consultado a 8 de Maio de 2006.

RAMBAUX, A. – Gestão Económica dos «Stocks», 2.ª ed. Lisboa, Pórtico, s.d.

TERSINE, Richard J. – Principles of Inventory and Materials Management, 3.ª ed., Nova Iorque, North-Holland, 1988.

Comments: Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?