terça-feira, maio 09, 2006

 

Análise ABC (IV)


A análise ABC é também conhecida por Gestão por Excepção. A identificação de questões prioritárias pode implicar que só seja dada atenção aos elementos da classe A, sendo todos os outros deixados para mais tarde, quando e se houver oportunidade para tal. Esta técnica selectiva consiste em tratar diferentemente os elementos de cada classe e tem sido utilizada em contextos e para fins diferentes em empresas industriais, comerciais ou de prestação de serviços:

quantidade, custo (Rambaux, s.d.), custo de rotura, preço de venda, contribuição para o lucro, rotação e volume dos artigos em armazém na totalidade, consoante os cuidados de armazenagem, por regiões e fornecedor (Nunes, 1999);
inventário rotativo (SAP, s.d.);
quantidade, volume e, mais importante ainda, relação quantidade / volume dos artigos movimentados do / para o armazém (Francis et al., 1992);
classificação de fornecedores (Santos, 1999);
configuração de instalações (Muther, 1978);
criticidade (Bianchi e Saldanha, 2004), gamas de artigos e tecnologias de produção;
programação da produção;
manutenção (CENCAL, s.d.);
clientes em termos de valor e potencial, projectos de retenção;
serviço ao cliente (Arantes, 2004);
mercados e política comercial;
transportes e planeamento da distribuição;
definição de quaisquer prioridades.

A etapa mais trabalhosa da análise ABC é a identificação e recolha de dados dos artigos porque é uma tarefa que envolve um grande número de informações, principalmente em ambientes industriais. Mesmo em empresas de pequena dimensão, pode ter-se alguns milhares de artigos diferentes, com vários tipos de identificação para cada um (Nunes, 1999). O desenvolvimento e a utilização de computadores, cada vez mais baratos e potentes, tem possibilitado o surgimento de programas de utilização mais intuitiva que conduzem ao rápido e fácil processamento de grande volume de dados (Pereira, s.d.). A análise ABC tem que ser repetida sempre que houver qualquer motivo que leve a crer ter-se alterado a importância relativa dos artigos.

A adopção da análise ABC permite, portanto, dosear o esforço de gestão consoante a classe a que os artigos são afectados. Para a aplicar, é necessário separar as existências a gerir em classes formadas com base no(s) critério(s) escolhidos ou cruzamento de critérios. Antes de classificar os artigos, devem ser avaliados outros factores sem serem os financeiros. Algumas destas análises têm que ser elaboradas simultaneamente para que não fiquem por considerar aspectos diferenciados, inerentes aos materiais, quanto à sua utilização, aplicação e aquisição, o que poderia implicar distorções quanto à classificação de importância e estratégias de utilização dos materiais (Pereira, s.d.) Alguns factores importantes podem ser (Tersine, 1988):

1. abastecimento difícil (com tempos de aprovisionamento longo ou irregulares);
2. probabilidade de furto;
3. dificuldade de previsão (grandes flutuações da procura);
4. vida curta (devido a deterioração ou obsolescência);
5. necessidade de muito espaço de armazenagem (muito volumosos);
6. criticidade operacional.

Um outro cuidado que deve ser considerado na utilização da curva ABC é o de averiguar se todos os artigos em análise tiveram um consumo normal, durante o período em estudo, ou se algum deles é um produto novo que pode ter uma grande importância para o desenvolvimento da empresa, que a análise ABC não consegue evidenciar. Ainda outra classe é a dos produtos que a empresa tem que ter em armazém por força das garantias dadas aos clientes. Em ambos os casos, os artigos devem ser afectados a classes próprias, de importância adequada (Lisboa, 2004).

Seguidamente, a cadência a fixar para analisar a situação dos diversos artigos de cada classe deve ser apreciada para cada caso, utilizando processos adequados para a determinar. Importante é examinar com bastante frequência a situação dos artigos da classe A e muito menos, anualmente ou em intervalos mais longos, os artigos da classe C.

Entenda-se que não se trata de examinar no mesmo dia todos os artigos da classe C, pois a tarefa poderia ser impossível. Para esta classe, o trabalho de gestão deve ser distribuído no tempo e efectuado durante cada um dos dias com a periodicidade fixada, consoante um plano preestabelecido que se confundirá com o plano de reaprovisionamento.

Esta gestão revela-se mais segura e económica do que a dispersa igualmente sobre todos os artigos. O responsável pela gestão das existências ficaria então perante o dilema: custo de gestão inadmissível, para ser eficaz, ou desleixo inoperante, para ser económica.

A análise ABC constitui, no entanto, apenas um método de classificar os artigos existentes em armazém. É só um meio de efectuar fácil e economicamente uma verificação de factos. Há ainda que caracterizar a actividade de gestão a desenvolver.

ARANTES, Amílcar – Serviço ao Cliente. «O Papel da Logística na Organização Empresarial e na Economia», Lisboa, Instituto Superior Técnico (IST), 2004.

BIANCHI, Renata Coradini; SALDANHA, Mônica Dotto – Gerenciamento do Estoque na Cadeia de Suprimentos de uma Empresa de Serviços e Varejo de Pneus. «VII SemeAd», São Paulo, Departamento de Administração / FEA / USP, 2004

CENCAL – Centro de Formação Profissional para a Indústria de Cerâmica. Caldas da Rainha, s.d. – GPC – Gestão da Produção Cerâmica. Consultado a 8 de Maio de 2006.

FRANCIS, Richard L.; et al. - Facility Layout and Location: An Analytical Approach, 2.ª ed., Englewood Cliffs, NJ, Prentice Hall, 1992.

LISBOA, António; et al. ed. – Introdução à Gestão de Organizações. Porto, Vida Económica, 2004.

MUTHER, Richard – Planejamento do Layout: Sistema SLP. São Paulo, Edgar Blücher, 1978.

NUNES, J. P. – Método da Análise Selectiva ABC. São Paulo, 1999. Consultado a 8 de Maio de 2006.

PEREIRA, Moacir – O Uso da Curva ABC nas Empresas. Campinas, SP, Kplus, s.d. Consultado a 8 de Maio de 2006.

RAMBAUX, A. – Gestão Económica dos «Stocks», 2.ª ed. Lisboa, Pórtico, s.d.

SANTOS, Francisco Pinto dos – Sindicância à Junta Autónoma das Estradas (JAE). Lisboa, 1999. Consultado a 8 de Maio de 2006.

SAP Help Portal - Método de contagem rotativa do inventário físico. Walldorf, Alemanha, SAP, s.d. Consultado a 8 de Maio de 2006.

TERSINE, Richard J. – Principles of Inventory and Materials Management, 3.ª ed., Nova Iorque, North-Holland, 1988.

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