terça-feira, maio 30, 2006

 

Os transportes como factor locacional (I)


Os custos de transporte, como custos monetários de movimentação no espaço, obviamente têm um lugar especial na análise locacional. As primeiras teorias de localização consideram, frequentemente, a localização que minimiza os custos de transporte como a localização óptima. Tais teorias são muito parciais porque ignoram a possibilidade de haver variações espaciais nos custos de operação e na procura explicadas por factores distintos dos custos de transporte, por um lado, e dos bens acabados, por outro. Contudo, mesmo que o ponto de custo de transporte mínimo possa não dar uma resposta geral ao problema da melhor localização, os custos de transporte podem ser uma força crítica na análise locacional, em determinadas circunstâncias.

Ignorando considerações pessoais e subjectivas e se os custos de operação e a localização dos concorrentes (o factor procura) forem mantidos constantes, as escolhas de localização dependem dos custos de transporte. A localização que possibilita o lucro máximo para um estabelecimento é aquela em que os custos de transporte são minimizados. Mesmo que essas hipóteses não sejam satisfeitas, o transporte pode exercer uma influência importante sobre a localização, especialmente quando a relação entre o frete e os custos totais é elevada e quando essa relação varia muito entre os diferentes pontos. Os vendedores de bens de consumo são estimulados a localizar-se perto do mercado consumidor, ao passo que as fases iniciais da operação (fases de aprovisionamento) são atraídas pelas fontes de fornecimento de produtos. Se o mercado consumidor e as fontes de produtos estão separadas espacialmente, o resultado é uma dispersão vertical das localizações. Quanto maiores os custos de transporte, tanto maior será o grau de dispersão espacial, especialmente num sector que comercializa um mesmo produto e está em concorrência pura. As influências da procura também tenderão, ceteris paribus, a agir no sentido da dispersão, já que os custos altos de transporte funcionam como tarifa protectora para os estabelecimentos locais. Na verdade, os altos custos de transporte podem até mesmo fazer com que valha a pena para um monopolista estabelecer filiais, com o objectivo de obter produto e/ou produtos intermediários mais perto das suas fontes de fornecimento, para vender aos mercados situados nas proximidades.

As actividades orientadas no sentido dos produtos tendem a ter uma ou mais das seguintes características:

1) os custos gerais de transporte variam mais amplamente do que os outros custos nos locais alternativos;

2) os produtos perdem peso durante a sua transformação em produtos nas prateleiras;

3) a tarifa de transporte sobre produtos aprovisionados excede ou iguala a tarifa sobre o produto vendido (a não ser que o diferencial de tarifa seja compensado pelo factor peso).

A segunda e terceira características, frequentemente, estão contidas na primeira. Por outro lado, uma localização orientada para o mercado de consumo tende a ser preferida quando se dão uma ou mais das seguintes condições:

1) o produto final é de transporte mais caro do que a matéria-prima;

2) o produto é perecível;

3) a procura dos consumidores flutua sensivelmente (nesse caso, a localização próxima dos consumidores permite a manutenção de stocks a custos mínimos);

4) o contrato directo com os consumidores pode aumentar as vendas.

Este último ponto aplica-se, particularmente, às indústrias de serviços e às empresas que vendem bens intermediários para outras empresas. Nesses casos, a proximidade do mercado facilita a rapidez das entregas e o controle da qualidade pelos compradores, entre outras.

RICHARDSON, Harry W. – Economia Regional: Teoria da Localização, Estrutura Urbana e Crescimento regional. 2.ª ed., Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1981.

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