segunda-feira, junho 05, 2006

 

Inputs de transporte: equilíbrio locacional


Com a ajuda das linhas de transformação e das de relação de preços, tomadas em conjunto, é possível obter o ponto de equilíbrio locacional para o estabelecimento. A condição de equilíbrio é directamente paralela à condição de equilíbrio normal na análise de substituição da teoria da produção. Nesse caso, o ponto de produção corresponde ao ponto em que a linha de transformação é tangente à linha de relação de preços. Isso significa que a taxa marginal de substituição entre quaisquer dos inputs de transporte é igual à recíproca dos seus preços (as tarifas de transporte correspondentes). Assim, o lugar de equilíbrio corresponde ao ponto na linha de transformação que se coloca ao nível mais baixo da linha de relação de preços, implicando, portanto, os custos totis de transporte mais baixos. Para encontrar esse ponto de equilíbrio, só é preciso sobrepor a linha de relação de preços ao diagrama de transformação. Considerando, a Figura 1A, B e C (já apresentada), conjuntamente com D, E e F, chega-se a nove combinações diferentes. Os resultados estão colocados na matriz da Figura 2.


Figura 2.
(carregar com o cursor na figura para ver em tamanho grande)


Esses resultados são evidentes, de forma que é desnecessário comentá-los em detalhe. A combinação A-D é indeterminada porque as inclinações da linha de transformação e da linha de relação de preços são ambas iguais a – 1, e qualquer localização (M, C ou qualquer ponto na via que os liga) incorre nos mesmos custos totais de transporte. Em A-F, a simetria da linha de relação de preços convexa à origem assegura que a mais baixa dessas curvas toca a linha de transformação A em ambos os eixos, o que torna indiferente a localização em M ou em C. Na coluna horizontal inferior da tabela, a localização resulta sempre no centro consumidor; isso ocorre porque a linha de transformação C, representando o aumento de peso durante o processo de comercialização, domina sempre as linhas de relação de preços consideradas (D, E e F) porque em todos esses casos a tarifa de transporte do produto final é ≥ à tarifa de transporte da matéria-prima. Na linha de transformação B, onde existe perda de peso durante a comercialização, a localização junto à fonte de produto surge em casos (B-D, B-F) em que a tarifa de transporte é a mesma para o produto e para o artigo na prateleira. A combinação B-E é a mais difícil; aqui uma influência de diminuição no peso do produto é compensada por uma tarifa mais elevada para os artigos na prateleira. Entretanto, a localização do estabelecimento é plenamente determinada, dependendo das inclinações relativas da linha de transformação e da linha de relação de preços. Se essas inclinações fossem completamente especificadas, poder-se-ia então determinar se o equilíbrio ocorre em M ou em C.

Um último ponto importante a ser assinalado sobre os resultados da Figura 2 é que a localização de equilíbrio é sempre num ponto extremo. O ponto de equilíbrio é quase sempre um ponto extremo em que o polígono locacional se reduz a uma linha, por exemplo, quando somente um produto é utilizado na comercialização. Nesse caso, a linha de transformação é uma linha recta ou um certo número de pontos possíveis situados numa linha recta. A única excepção em exemplos desse tipo é quando a linha de relação de preços é côncava em relação à origem, o que exige, como condição, que a tarifa de transporte cresça com o aumento da distância, o que é bastante improvável. De facto, a convexidade dos sistemas modernos de transporte é um poderoso factor a influir no sentido dos pontos extremos serem escolhidos para a localização. Por outro lado, é preciso destacar que as soluções relativas aos pontos extremos são apenas possibilidades e não probabilidades em situações mais complexas com fontes múltiplas de produtos e/ou múltiplos mercados de consumo.

RICHARDSON, Harry W. – Economia Regional: Teoria da Localização, Estrutura Urbana e Crescimento Regional. 2.ª ed., Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1981.

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